Livros
Produção bibliográfica do
autor (não inclui
títulos esgotados)
I. Livros de literatura
O
espelho dos nomes
São Paulo, Ática, 2002.
Falar é fazer
- esse é o lema deste livro que
leva o leitor a se aventurar pelo mundo
sempre surpreendente das palavras. É
com as palavras que podemos dar nome às
coisas que não existem, é
de palavras que são feitos os nossos
pensamentos, os nossos delírios,
os nossos medos, as nossas vontades.
Com
elas podemos imaginar outros modos de ser,
outras coisas para ver, outros tempos e
outros universos para viver, construídos
só de linguagem, matéria-prima
dos nossos sonhos.
O espelho
dos nomes nos mostra as trilhas sinuosas
por onde as palavras gostam de nos levar
até ficarmos perdidos no emaranhado
dos significados sem fim. Aqui elas permitem
que os sapos tenham sua própria língua,
que os gansos aprendam grasnática
na escola, que um rei seja capaz de proibir
que seus súditos falem, que uma caveira
consiga resolver complicados problemas matemáticos.
Aqui um menino sai à procura de seu
nome e, no meio dessa busca, descobre que,
por causa das palavras, as aparências
esganam e nem tudo o que parece deixa de
ser o que não é!
Os reflexos que surgem neste espelho dos
nomes são as perguntas que as pessoas
vêm fazendo desde que, em algum momento
perdido no tempo, começaram a falar:
de onde vêm as palavras? Elas descrevem
o mundo ou elas inventam mundos? Será
que todas as coisas têm nome? Será
que todos os nomes se referem a alguma coisa?
Por que as pessoas falam de modos tão
diferentes, se a espécie humana é
uma só? Quem disse que eu não
posso escrever do jeito que falo? Por que
nenhum dicionário jamais vai conseguir
explicar tudo o que uma única palavra
pode querer dizer?
Todas essas perguntas reaparecem aqui, como
enigmas que o leitor terá de resolver
com as pistas que as própras palavras
traiçoeiras lhe oferecem. E é
preciso encontrar logo as respostas... antes
que o tempo se esgote! Este livro quer mostrar
que a língua é muito mais
rica, mais fascinante, mais divertida do
que costumamos acreditar, e que usar esta
língua é antes de tudo participar
de um jogo fascinante.